O estabelecimento de bases teóricas que permitem compreender como um sistema celular autorreplicável evoluiu, necessariamente, depende da capacidade de determinar que tipo de mecanismos químicos e moleculares propiciou o surgimento de uma linhagem indefinida de células, às quais possivelmente nossa história evolutiva está associada. O dilema acerca da origem da vida, em si, gera controvérsias e debates suficientes, mas, sua manutenção é um tema que desperta igual interesse e é objeto de inúmeras conjecturas e interpretações. Como se dividiu a primeira célula? De que mecanismos dispunha para realizar este processo? Nossas informações sempre foram codificadas no material genético, como o concebemos atualmente? E de que forma este poderia ser hereditário? Proteínas sempre formaram um bloco funcional de moléculas, responsáveis por, virtualmente, todos os processos celulares que conhecemos? Teria o surgimento da vida sido, na verdade, um conjunto de eventos independentes de tentativa e erro, até que se estabelecessem bases químicas e moleculares compatíveis com a manutenção de uma forma de vida?

Visto isso, é importante dizer que a manutenção de uma linhagem de células deve ser regulada de forma refinada, de acordo com as condições fisiológicas e ambientais.O mau funcionamento dos sistemas celulares, portanto, pode resultar em uma indefinida proliferação de células que pode produzir anormalidades, como observamos nas disfunções diagnosticadas como câncer. Multifatorial, é um processo gradual estimulado por mutágenos ou por fatores que exacerbam a divisão celular. Sendo assim, o desenvolvimento de um câncer depende da incapacidade de uma célula em responder aos sinais ambientais que regulam sua proliferação, o que, em última análise, envolve vias intracelulares em cascatas de sinalização – o cruzamento e a integração de diferentes vias determina um comportamento celular adequado para a sobrevivência do organismo.

Comumente, para tal, uma célula é sensibilizada, simultaneamente, por mitógenos, sinais de sobrevivência e fatores de crescimento, os quais promovem divisões celulares, a viabilidade das células em divisão e seu crescimento, respectivamente, garantindo que mantenham um conteúdo celular adequado e não percam volume a cada novo ciclo de divisão. Esses eventos são mediados por receptores de membrana da classe Tirosino-Quinases, assim denominados em virtude de sua capacidade de, quando sensibilizados, autofosforilar em sítios intracelulares que ativam pequenos grupos de proteínas sinalizadoras em sítios de tirosina. As vias mais importantes mediadas por estes receptores sãos as vias das MAP-Quinases (ilustrada no vídeo acima), das PI 3- Quinases e das PI 3-Quinases/Proteíno-Quinases B (AKT), que modulam os genes associados à sobrevivência e proliferação celulares, por exemplo.

Esta figura ilustra a complexidade das vias que envolvem os processos em discussão, além de destacar proteínas importantes em processos oncogênicos, por estarem relacionadas à regulação dos ciclos de divisão celular, como as ciclinas, a p27 e a p53.

Para isto, algumas dessas vias dependem de intermediários celulares que transmitem sinais ao núcleo, como a proteína RAS – esta GTPase monomérica foi descrita, inicialmente, como um produto hiperativo do gene mutante ras, que induz câncer. Sendo assim, a exacerbação, ou falta de inibição de vias específicas pode desencadear uma proliferação celular indefinida em uma linhagem específica de células, promovendo efeitos nocivos ao organismo, como pode ser ilustrado pela figura acima. Devido à impossibilidade de uma discussão completa sobre o assunto neste espaço, aconselho a consulta dos links propostos abaixo.

Links propostos :

http://www.cellsignal.com/index.jsp
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK9839/ – Capítulos 13 e 15
http://www.cancer.org.br/20anos/home.php
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home

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